3

Pandemia afeta prevenção à Aids

Dezembro está quase no final, assim como o ano 2021. Aproveitamos o momento para reforçar que a luta contra o HIV/Aids vai muito além deste mês ou do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no primeiro dia de dezembro. A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids), doença que já matou milhões de pessoas no mundo, principalmente nos anos de 1980 e 1990, pode ser evitada ou estabilizada com prevenção combinada, diagnóstico precoce, adesão e regularidade no tratamento.

Fim de ano, especialmente Réveillon, é época de festa e comemoração, o que torna imprescindível redobrar os cuidados. O preservativo ainda é o método mais acessível e eficaz para a prevenção do HIV e deve ser utilizado em todas as relações sexuais. Por isso, camisinhas femininas e masculinas estão disponíveis gratuitamente nos serviços de saúde para toda a população.

Além disso, recomenda-se que todas as pessoas sexualmente ativas realizem regularmente testes para a detecção do HIV. Existem testes rápidos feitos sem a necessidade de estrutura laboratorial. Eles são práticos, feitos com uma gota de sangue e o resultado sai em, no máximo, 30 minutos. Com o resultado do teste em mãos, caso a pessoa esteja infectada, o tratamento é iniciado imediatamente, sem custo algum para o paciente, pois a pessoa que adere corretamente ao tratamento com a ingestão de medicamentos não desenvolve a Aids, fica com a carga viral indetectável e não transmite o HIV para outras pessoas.

Além desse método, outros dois também podem ser utilizados no que se chama de prevenção combinada à infecção: a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP); e a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). A PrEP é uma tecnologia relativamente recente, incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017, e é indicada para pessoas com parceiros soropositivos, e consiste na ingestão diária de um comprimido que impede que o HIV infecte o organismo, antes mesmo da pessoa ter contato com o vírus. A PEP, oferecida desde 1999, é indicada para aqueles que passaram por uma situação de risco, como ter feito sexo sem camisinha, por exemplo, e consiste no uso de medicamento em até 72 horas após a exposição, devendo ser continuado por 28 dias. Todos os métodos são oferecidos gratuitamente pelo (SUS).

Manter bons hábitos de vida e priorizar alimentação saudável também são recomendações essenciais para quem é soropositivo ou portador da doença, uma vez que fortalecem a imunidade. Lembre-se que Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Humana transmitida pelo vírus HIV, e ela é caracterizada pelo enfraquecimento do sistema de defesa do corpo e pelo aparecimento de doenças oportunistas.

Terapia dupla

Uma forma de tratamento que vem sendo discutida nos últimos anos e já é utilizada no Brasil e até em Santa Catarina é o uso da terapia dupla, que consiste na administração de dois antirretrovirais ao invés da terapia clássica, onde se utilizam três drogas. O que vem sendo observado em pacientes com esse tipo de tratamento, onde há a redução do número de medicamentos, é que tende-se a gerar um perfil mais favorável de eventos adversos, menos interações medicamentosas e posologia mais fácil, o que também favorece a adesão ao tratamento.

Contudo, alguns cuidados são importantes antes da prescrição de terapia dupla, ou seja, ela não se encaixa em qualquer caso. É necessário que se faça uma análise criteriosa e cuidadosa do histórico de tratamentos anteriores do paciente e os motivos que levaram a optar pela troca do tratamento. Quando necessário, uma consulta com um infectologista com experiência nesse tipo de atendimento, pode ser indicada a fim de auxiliar o processo.

Além da terapia dupla que já é considerada um grande avanço atualmente, a terapia antirretroviral injetável é uma das grandes esperanças no manejo da infecção pelo HIV. Alguns testes vêm mostrando resultados promissores.

É importante salientar que, em meio a pandemia de Covid-19, portadores do vírus HIV devem tomar cuidados redobrados, visto que, quadros respiratórios em pacientes imunocomprometidos podem vir a ser mais graves.

Santa Catarina

Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina – Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), houve uma queda no número de diagnósticos de infecções por HIV em Santa Catarina entre os anos de 2019 e 2020. Em 2019 foram diagnosticados 2.169 casos contra 1.618 em 2020. Nos dois anos, os homens aparecem entre os mais infectados e a faixa etária mais acometida é de pessoas com idade entre 20 e 29 anos, seguido daqueles com 30 a 39 anos.

Com relação aos casos de Aids também houve redução entre 2019 e 2020. Em 2019 foram diagnosticados 1.236 casos e 884 em 2020, sendo também os homens os mais acometidos. A faixa etária com mais diagnósticos está entre 30 e 39 anos, seguido daqueles com idade entre 40 e 49 anos. Os heterossexuais estão entre os que mais adoecem.

A redução no número de diagnósticos pode ter relação com a pandemia, quando menos pessoas procuraram os serviços de saúde.

Pandemia no mundo

Em 2020, a pandemia de COVID-19 impactou os serviços de HIV, comprometendo a disponibilidade de tratamento e interrompendo a prestação de serviços no mundo inteiro. Entre elas, atividades de prevenção, teste de HIV (que caiu 34% em relação a 2019) e teste de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), bem como terapia antirretroviral entre indivíduos recém-diagnosticados, de acordo com dados de 20 países. A pandemia também atrasou a implementação da PrEP (profilaxia pré-exposição).

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertaram que, à medida que os testes e o número de resultados positivos são reduzidos, existe um risco significativo de retrocesso no progresso em direção às metas de eliminação.

Atualmente, 75% das pessoas vivem com o vírus e conhecem seu estado sorológico. A meta da ONU em 2020 era garantir que esse número chegasse a 90%, e que pelo menos 90% dessas pessoas recebessem tratamento. Dos que receberam tratamento, a intenção era que 90% se tornassem indetectável. No Brasil, 92% das pessoas em tratamento já se encontram em estágio indetectável.

Campanha Nacional

O Dia Mundial de Combate a Aids (1º/12) começou a ser comemorado no Brasil no final dos anos 1980, envolvendo os governos federal, estaduais, distrital e municipais e organizações sociais. Este ano, a campanha teve como público primordial os jovens de 15 a 24 anos. Essa escolha foi feita ao se levarem em consideração dados comportamentais como o maior número de parceiros casuais dos jovens em relação aos não jovens e o elevado índice de jovens (40%) que declaram não usar preservativo em todas as relações sexuais.

Os objetivos da campanha foram a desconstrução do preconceito sobre as pessoas vivendo com HIV/Aids e a conscientização dos jovens sobre comportamentos seguros de prevenção. Para isso, o tema da campanha foi: “O preconceito como aspecto de vulnerabilidade ao HIV/Aids”.

Em Santa Catarina, o grande desafio é ampliar a oferta diagnóstica, uma vez que muita gente tem o vírus e não sabe. Também se vem trabalhando muito no sentido de manter os pacientes infectados em tratamento regular. O número de pessoas que abandona o tratamento ainda é grande.

Post A Comment

Enviar mensagem
Precisa de ajuda? Converse com a gente no WhatsApp